[21-Mar-03] Missões da Sociedade Civil Separam-se do Consenso do Conselho Mundial da Água
Kyoto, JAPÃO - Uma greve improvisada hoje, durante o lançamento do Relatório
Camdessus no Painel Mundial de Financiamento de Água, despertou uma controvérsia ao
passo que a sociedade civil rispidamente criticou as posições do Conselho Mundial da Água,
que abrangem a infra-estrutura e desenvolvimento de represas, a privatização e as
políticas de estabelecer preços, posições sendo promovidas durante o Fórum Mundial da
Água.
O ato provocador demonstrou uma crítica oposição à influência empresarial do fórum ao
chegar a sua conclusão. Os protestos contínuos culminaram hoje de manhã quando
representantes de centenas de ONGs e sindicatos em todo o mundo exigiram que o
Conselho Mundial da Água siga um outro rumo.
"Em vez de alimentar as empresas com mais dinheiro a fim de salvar as multinacionais
hídricas, devemos investir em sistemas hídricos públicos", disse David Boys de Serviços
Públicos Internacional. "Esta é a melhor forma de atender ao direito das pessoas à água e
de assegurar o controle comunitário de sistemas hídricos inovadores e sustentáveis."
Em sessão após sessão, representantes da sociedade civil exprimiram um ponto de vista
que foi basicamente desconsiderado pelo Conselho Mundial da Água. O principal
argumento deles concentra-se na crença de que a água é um direito humano, e não um
direito comercial, e por isso, não deve ser exposto ao mercado comercial. A presença
incremental da sociedade civil no Fórum Mundial da Água é evidência de que há um
crescente movimento determinado a resistir o plano empresarial que está atualmente
levando esta intenção do Conselho Mundial da Água.
"As soluções sugeridas pelo Conselho Mundial da Água são impelidas pelos interesses
pessoais, institucionais, empresariais e políticos. Eles já usaram este fórum para pedir
subsídios públicos para a construção de mais grandes represas e outros projetos hídricos
destrutivos", expressou Joan Carling da Aliança do Povo de Cordillera das Filipinas. "Estas
«soluções» não ajudarão a maioria das pessoas ao redor do mundo que não têm acesso à
água - apenas piorarão os problemas e impedirão a adoção de verdadeiras soluções, tais
como a colheita das águas pluviais e a energia renovável. Pedimos que rejeitem o Relatório
Camdessus. Não deve haver nenhum financiamento público destes grandes projetos de
infra-estrutura hídrica a menos que satisfaçam as normas delineadas pela Comissão
Mundial Sobre Represas."
Povos indígenas ao redor do globo também vieram ao fórum para compartilhar as suas
perspectivas sobre como proteger e preservar o abastecimento de água do mundo.
Contrariando o plano do fórum, Sra. Maya Marilyn Harris de Black Mesa Trust dos Estados
Unidos disse, "Nosso relacionamento com nossas terras e águas é a base fundamental
física, cultural e espiritual de nossa existência. Ficamos resolvidos a seguir e implementar
nosso conhecimento e nossas leis tradicionais, e de exercer nosso direito de
autodeterminação na preservação da água e da vida".
A rejeição do Relatório Camdessus, que delineia propostas personalizadas de financiamento para complementar a Declaração Ministerial, foi uma ação básica em prol da crítica do Conselho Mundial da Água. O Camdessus está exigindo mudanças drásticas no financiamento dos sistemas de abastecimento da água, e bilhões de dólares para grandes represas e outros destrutivos projetos de infra-estrutura hídrica. As propostas são projetadas em favor de usar recursos públicos a fim de proteger os investidores dos riscos, e não em prover acesso a água saudável e disponível para todos.
"Este modelo visa habitantes pobres que não têm os recursos para agüentar qualquer
aumento no preço de água", disse Karl Flecker do Instituo Polaris de Canadá.
"Essencialmente, o Relatório Camdessus propõe um modelo de concessão para as
empresas globais de água a fim de amparar estas empresas privadas. Grupos de cidadãos
ao redor do globo estão condenando o relatório como sendo um plano em favor das
empresas globais de água possam ganhar lucro dos sistemas hídricos por intermédio de
um modelo de mercado que não fará nada para melhorar o acesso a água nos países em
desenvolvimento."
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